sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Esquizofrenia

Um sintoma típico da esquizofrenia é a divulgação do pensamento.
Os doentes convencem-se de que alguém lhes tira os pensamentos e os divulga por todo o lado. Imagine-se o seu drama. Devassados na mais profunda intimidade, os seus desabafos, irritações, expectativas, fantasias e mesquinhices são expostos na praça pública. Sem poderem guardar segredos, eles anulam os sentimentos e remetem-se a um comportamento artificial. Fica uma consolação: quanto mais pessoas falarem deles, mais importantes se sentem.
Quando surgiram os telemóveis e a internet, muitas raparigas descobriram que os seus ex-namorados, zangados mas conhecedores da tecnologia, sabiam tudo o que elas faziam e pensavam. Pura e simplesmente, interceptavam os computadores e telemóveis, ficando ao corrente do mínimo desabafo ou combinação com amigas. Sem serem esquizofrénicas, elas sentiam o mesmo drama e obrigavam-se a adoptar pensamentos e sentimentos artificialmente correctos. Temo, aliás, que muita gente, consciente da iminente devassa da sua intimidade, já se tenha habituado ao politicamente correcto.
A esquizofrenia tem a ver com a presença de vias cerebrais anómalas que levam informação onde não a deviam levar. Em Portugal, também se estabeleceram vias anómalas entre sectores do Ministério Público e da Comunicação Social. Será esquizofrenia social? O certo é que os doentes têm, finalmente, razão. Há quem roube pensamentos para os divulgar na Comunicação Social. De facto, podem roubar o pensamento a muitos, mas só divulgam o daqueles que são importantes.

13 11 2009 08.28H
J.L. Pio Abreu in Destak
(Psiquiatra e Prof. Universitário)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sobre o desemprego!

De facto não há crise em Portugal! Estamos
todos enganados! Assistimos em directo à
recente corrida aos bilhetes para a concerto
dos U2 (nada baratos, aliás!), os centros comercias
continuam cheios, os restaurantes também. Eu própria
vejo-me a braços com a quase impossível tarefa
de contratar professores para leccionarem inglês,
música e educação física nas escolas de 1ºciclo . A
razão é quase sempre a mesma: ou foram colocados
no concurso nacional de professores, ou estão no
subsídio de desemprego e não lhes compensa trabalhar
umas horinhas por dia… Sim, esses mesmos,
pagos por nós contribuintes, que vão para as filas
dos “ídolos”mesmo sem saberem cantar, que compram
o último grito da moda em prestações e o carro
em prestações, e as férias(sim porque às férias todos
temos direito!) em prestações. Suaves como o
subsídio… bem vistas as coisas, neste nosso País,
paga sempre o justo pelo pecador. O que pensarão
aqueles milhares que perderam de facto o emprego
por verem a sua fábrica fechar portas? O que dirão
os que querem trabalho e não emprego, (que muitas
vezes é apenas uma metáfora mal amanhada
para justificar um salário), perante tanta preguiça
instalada sobretudo nos grandes centros urbanos?
Desemprego? Devo estar a sonhar!!! Continuo a batalhar
na minha ideia: que os nossos governantes
tenham a coragem de “oferecer” postos de
trabalho obrigatórios nas tantas IPSS que existem
por este País fora, como forma de justificar o subsídio
pago pelos contribuintes. São milhares as pessoas
que precisam de colo, conversa, uma mão
amiga. Idosos, crianças, doentes… em vez de se lamentarem
que o tempo custa a
passar porque não têm nada
para fazer, que tal terem
mesmo algo “útil” para se
ocupar? E ainda por cima a
favor de quem mais precisa?
É tão óbvio que brada
aos céus!! Hello! Está aí
alguém a ouvir-me?



Por Maria João Lopo
de Carvalho
(escritora)